segunda-feira, 1 de novembro de 2010

dia 27 - 1 de Novembro - reflexão e limpezas

Hoje de manhã deu-me para isto:

Sentado à mesa do pequeno almoço numa casa na Grécia tenho 5 ou 6 moscas, muito mais pequenas do que eu, que me tiram do sério pela insistência e pontaria onde me chateiam, fazem-me levantar para mudar de sítio.

Estou a usufruir de um programa europeu, criado por políticos sem outras intenções que não sejam políticas, dizem-me: jovem, queres ir viajar? Vais trabalhar um determinado tempo para outro país e pagamos-te tudo. Tu aprendes coisas novas, fartas-te de curtir e em troca agradeces o facto de existir uma Europa, onde vais trabalhar daqui a uns tempos.
Eu, pela música, vim parar à Grécia. Todos nós sabemos como Portugal está e todos temos notícias de como a Grécia está. Eu que aqui estou digo que a Grécia é muitíssimo parecida com Portugal mas que já se espatifou antes. Digo às pessoas que conheço por aqui que hão-de ouvir falar de Portugal nas notícias, que estamos a ficar como eles. Espero estar errado. Aqui onde, em tempos, se filosofou e se politicou à séria dou por mim a ganhar uma nova consciência cívica.

Estou farto de ver videozinhos com imensa graça e pontaria sobre os temas que afectam o nosso país, estou cansado de comentários espalhados por este facebook fora recheados de insultos aos políticos portugueses. Estas atitudes fazem-me lembrar aqueles cães pequeninos que se fartam de ladrar muito esganiçadamente e muito nervosos mas que nunca chegam a morder. Já todos nós tivemos destes cães à nossa volta e sabemos que aquilo chateia mas conseguimos ignorar. Também já todos tivemos as moscas a incomodar-nos, a virem várias vezes às mão e à cara, umas a seguir às outras, e isso sim faz-nos perder a cabeça.

Eu diria que está na altura de ladrar menos e, em conjunto, ir atacar mais seriamente os problemas.

Se calhar está na altura de começarmos todos a fazer alguma coisa.

"A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores."- in (Platão)
Tirei esta frase do Grupo aqui no Facebook (é que isto também serve para outras coisas que não só partilhar videos) chamado Adere, Vota e Intervém dentro de um Partido. Cidadania para a Mudança http://www.facebook.com/group.php?gid=246936858817

A primeira vez que ouvi falar disto foi quando participei no TEDxLisboa e o João Nogueira Santos apresentou esta ideia. Podem ver a apresentação dele em http://www.youtube.com/watch?v=6KOcrfmRHPQ
Nesse mesmo dia:
- Joaquim Casado, um verdadeiro Político explicou como conseguiu mudar tanta coisa na Ericeira sendo presidente de junta: http://www.youtube.com/watch?v=rbGcwY2ChFk
- Maria Conceição explicou porquê e como criou um projecto no Bangladesh: http://www.youtube.com/watch?v=nEzDHQ7RmMI
- eu mostrei como com meia dúzia de trocos e materiais podemos fazer aquilo que achávamos que não podíamos: http://www.youtube.com/watch?v=DTZTaKxS0GA
- António Barreto mostrou como os conhecimento dos números é importante: http://www.youtube.com/watch?v=HeJjTQir9qA

Ok, o texto vai longo, o que eu quero dizer é que realmente dá uma trabalheira bestial informarmo-nos de tudo, encontrar soluções, mexermo-nos para fazer acontecer as coisas. Mas quando não queremos ter esse trabalho, quando preferimos andar nas nossas vidinhas sem nos chatearmos muito porque é mais fácil e divertido gozar com quem tomou as decisões por nós, chegamos ao estado em que estamos hoje.

Eu conheço bem a minha geração, tenho a sorte de me cruzar e conhecer muitas pessoas e sei que poucas são as que fazem mais do que protestar e dizer piadas sobre o assunto. Eu vou mesmo aderir a um dos partidos e fazer algo mais por este nosso país fabuloso. Por favor informem-se, discutam, ouçam opiniões e vamos ver se todos damos um jeito nisto que as coisas não estão mesmo fáceis. Temos muito trabalhinho pela frente mas podemos ser agentes de mudança, podemos ter opinião e expressão.

Para começar e poderem ter algumas abordagens interessantes vão a http://www.facebook.com/group.php?gid=246936858817 e leiam o que por lá se escreve, é tipo os resumos europa-américa!

Talvez se estejam a perguntar porque raio é que o Rodrigo se lembrou disto assim de repente? A resposta não é difícil de encontrar e eu acredito sinceramente que podemos fazer alguma diferença, se cada um plantar uma árvore a apanhar um bocado de lixo talvez o próximo verão seja diferente, se cada um gastar um bocado menos de água, etc etc. Oh pá, vocês são pessoas informadas, sabem o que eu digo.

Quem tem vontade de viver um pouco melhor?

Não descansei enquanto não pus isto no Facebook. O Facebook é uma ferramenta com vantagens e desvantagens, hoje a vantagem foi fazer chegar isto a dezenas de pessoas com meia dúzia de cliques.
Acredito muito no poder de uma comunidade para operar mudanças na sociedade.

De manhã fui com a Ageliki ao oftalmologista e encomendar lentes novas para os óculos. Parece que vim aqui fazer a revisão dos 5000! E já me estava a tentar fazer a uma análises mas isso já é complicado demais.

Estive a conversar com ela sobre a situação política e de atitude do povo grego e somos mesmo parecidos.

Antes de vir para casa ainda fomos às compras e eu abasteci-me de barras de sésamo com mel, comprei 6 e não sei se vão chegar a Portugal, de tal forma eu gosto daquilo...

Chegámos a casa e esteve-se nas limpezas, ela acordou os turcos e andámos todos a fazer o ménage da maison. Ao dividir o trabalho eles disseram que eu não precisava de fazer nada e eu fiquei sensibilizado - afinal eles davam-se conta! - mas insisti e também ajudei.

Depois trabalhei mais um pouco no didgeridoo de rolos, é mesmo um dos melhores que fiz até hoje com esta técnica.
Vai-se estando aqui por casa, dois dos turcos vão amanhã embora, os outros dois no dia a seguir e eu no dia 5. Vou-me embora mas não para longe, para já só até Xylokastro, vou ficar 2 noites no hotel onde vou dar o workshop e o concerto, depois lá vou eu!

dias 24 a 26 - 29 a 31 de Outubro - pré-partida

Ainda não tinha passado tanto tempo sem escrever no blogue... A verdade é que depois de acabar o Baglamas a vontade de escrever esmoreceu um pouco...

Sexta feira estava um tempo péssimo, cada dia está mais frio e estava chuva e vento. Fui com a Ageliki ao dentista de manhã, nestes projectos temos um seguro que nos reembolsa despesas de saúde. E esta semana devo ir ao oftalmologista para fazer novas lentes...  Os dentistas aqui fazem parte do sistema nacional de saúde, mas o dentista do Centro de Saúde estava doente então tivemos de ir a um particular. Enquanto esperava pela consulta estive a dizer-lhe algumas das minhas opiniões sobre coisas que acontecem neste projecto.


Depois viemos para cima e ela esteve a ajudar o resto da malta na recta final para acabar os instrumentos.

Deixo aqui uma foto de um trabalho que ela esteve a fazer com o pirogravador na testa de um dos instrumentos que se tinha partido e o objectivo é disfarçar a colagem.









Depois estivemos a dar mais um pouco sobre teoria de construção: madeiras e medidas.

Uma curiosidade acerca do grego: temos imensas palavras quase iguais, todos aprendemos isso na escola mas a quantidade delas é enorme.
PAQUIMETRO diz-se exactamente desta forma em grego e Paqui quer dizer gordo. Para quem não sabe um paquímetro é um medidor de espessuras, eu achava piada quando a Ageliki perguntava pelo "fat meter".


De tarde estive a trabalhar no segundo didgeridoo de papel e fui correr outra vez, desta vez já com parte do caminho de regresso a correr e o devido sprint!!!

Sábado foi um dia meio estupidificante, estava a contar ir correr e começou a chover, aproveitei para trabalhar no didgeridoo e pouco mais.. Ao fim do dia estava imenso frio cá em casa então fui bater à porta do Sr Kostas para ligar o aquecimento, lá veio ele em pijama de cetim azul resolver o nosso problema, ehehee.

Hoje de manhã fui correr, depois fui a pé, com uma boleia "nos entretantos", até Kiato e depois de camioneta até Xylokastro despedir-me dos voluntários de lá que se vão embora amanhã e depois fomos um bocado à praia, eu fui o único que tomou banho. Poder tomar banho dia 31 de Outubro em águas limpinhas e nada frias é luxo a ser aproveitado, ainda que depois se seque ao sol que já se ia embora.
Estive a tocar um bocado de didgeridoo e um senhora que estava num grupo que estava a fazer Tai Chi na mata veio conversar e eu falei-lhe do concerto e wokshop. Pergunto-me se sempre vai haver público para os concertos e workshop, espero bem que sim, muita gente tem dito que vem, vamos a ver.

Depois vim até Kiato para ensaiar com o dono da escola de música onde vai ser o concerto de quinta-feira. Estivemos a tocar um bocado didgeridoo e guitarra e depois mostrei-lhe o meu Baglamas, recebi uns quantos Uau de elogio e pedi-lhe para o tocar um pouco, já era ao fim do dia por isso não se vê nada mas dá para ouvir.



Amanhã é dia de limpezas cá em casa, a Ageliki vem cá controlar que toda a gente trabalha  e eu acho bem!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

dia 23 -28 de Outubro - cravelhas, cordas e finito!!!

Hoje acabei o Baglamas!

O 28 de Outubro é feriado nacional na Grécia, chama-se o dia do NÃO. Mussolini queria ocupar alguns locais estratégicos em terras gregas e o General Ioannis, Metaxas disse Não. Mussolini atacou a Grécia e levaram uma tareia, vinham convencidos que iam ganhar por ter um exército 5 vezes maior, mas o Inverno desse chegou a ter temperatura de 20 graus negativos e os italianos não aguentaram a bronca.  Este dia, o Dia do Não, é celebrado por toda a Grécia com paradas organizadas nas cidades.
A Ageliki começou o dia por dizer que devia ser a única grega a trabalhar... Mas que para ajudar os voluntários lá tinha vindo. Pelos visto não houve grandes paradas por causa da chuva.

Em termos de trabaho foi um daqueles dias dedicado a pormenores.

Comecei a manhã com a colocação das cravelhas. Os furos que as ias receber estavam com um pouco de verniz, perguntei à Ageliki se podia dar-lhes um acabamento antes e ela disse que não.A verdade é que as cravelhas não estão a funcionar em pleno por isso, as adiante.



Depois de colocar as cravelhas estive a aplicar a peça que segura as cordas.

Os furos para os parafusos não deviam ter sido tão profundos mas a física diz-nos que a peça fica bem segura pelo alinhamento das forças, e eu vou confiar....

A peça que está pousada na mesa é a que vai cobrir as partes enroladas das cordas ao encaixar na que já está aplicada.






A seguir estive a aplicar as cordas com a ajuda do Muhammed. Um trabalho um pouco chato e complicado.... Enquanto um segura na argola que fixa a corda e a levanta para estar em tenção o outro usa uma ferramenta que é uma manivela para enrolar a corda mais rapidamente.

Depois estive a ajudá-lo a pôr as cordas dele.




Depois veio o trabalho de precisão!
As cordas precisam de ser guiadas ao longo do braço do instrumento, começando pela testa. Marca-se aquela pecinha de madeira, que já tinha estado a fazer noutro dia, como os sítios onde se vão fazer os rasgos para passar as cordas. Neste trabalho mais ou menos um milímetro faz muita diferença...

Ainda perguntei à Ageliki se podia fazer esta peça em osso como se vê em muitos instrumentos, até porque está lá um pedaço de osso na oficina, mas ela disse que não, tive pena...

É importante marcar tudo para se saber exactamente onde e até onde cortar.






 Aqui estão elas, de cima para baixo na fotografia (da mais aguda para a mais grave):
Ré Ré
Lá Lá
Ré Fá
Guiadas que estão as cordas na entrada do braço, é altura de ajustar o cavalete. Este deu mais trabalho...

Com esta peça afinamos a atura das cordas e a a orientação delas à saída do braço, para manter a distância entre elas. 



 Esta foi a pela que menos satisfeito me deixou em todo o instrumento porque ficou com uma grande assimetria, embora seja meramente estético.

 Ambas as pecinhas de madeira aplicadas hoje não foram envernizadas mas sim tratadas com óleo de limão. Não conhecia este óleo mas dá um acabamento muito bom à madeira e também dá para tratar todo o resto do instrumento, desengordura e dá um aspecto bonito ao verniz.







Um pormenor das cravelhas.
E aqui está o meu Baglamas!
Não me canso de salientar o quão grato estou por ter tido esta oportunidade, por todas as experiências que me proporcionou e por tudo o que aprendi, e estou ansioso por aplicar nos didgeridoos!

Também acho importante repetir o quão importantes estes programas são para todos aqueles que os podem fazer, são excelentes laboratórios de cidadania conforme se pode constatar pela leitura deste blogue. Conhecer outras culturas, países e pessoas é sempre bom, ensina-nos mais sobre nós próprios. Chego a pensar que devia ser obrigatório passar por um experiência deste género à saída do 12º ano. E o que digo não é assim tão fora do senso comum porque falta gente nestes projectos!

Entretanto já estive a tentar afinar o instrumento mas não está fácil porque os materiais precisam de se adaptar à tensão das cordas. Também tem a ver com uma série de pequenos erros acumulados, mas eu hei-de fazer outro cordofone em breve...

Ontem, depois de ver um video sobre o trainning do Odin Teatre em que falavam sobre correr fiquei com vontade de voltar a correr e assim fiz de tarde. Saí de casa todo inspirado em ir até ao teatro e voltar mas ao chegar lá tive a sensação que os meus pulmões estavam a virar do avesso como se faz com as camisolas para pôr na máquina de lavar roupa e, para baixo, vim a andar, tendo ainda roubado duas tangerinas das árvores do museu. Estou um pouco em baixo de forma, tenho de aproveitar os próximos dias para dar mais umas corridas..

Despeço-me com a imagem mais antiga que se conhece destes instrumentos, que referi no post de ontem.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SCORDALHÁ - bacalhau, puré e grelos

Quando ouvi o nome desta receita soube logo que ia gostar...


E agora já posso dizer que tenho provado comida grega. Mas também repito que somos muito parecidos com esta malta!

Ok, refeição típica grega: bacalhau frito, puré e uns grelos feitos de Radíquia. Radíquia é igual a umas ervas daninhas que me davam imenso trabalho a tirar quando tinha uma horta!!! A Ageliki disse-nos que aqui ninguém compra nem planta isto, vai-se buscar ao monte. As refeições aqui têm um potencial económico brutal...

Não deu para anotar grande coisa enquanto estávamos a preparar isto porque tive medo que a torre de pratos desabasse e fui pedir a um dos turcos que tratassem da louça deles e depois disso estive a tratar da louça da tarte de laranja!

Alguns aspectos que fixei:
- os grelos cozem-se sem tampa para não ficarem escuros
- as batatas cozeram com casca que se tirou e foram raspadas, o que deu um puré com uma textura interessante e um sabor potentíssimo por causa da quantidade de alho que levou
- depois de prontos, tiram-se os grelos da panela, cortam-se aos bocadinhos e gasta-se um limão inteiro, muito azeite e sal para temperar
- propus adição de noz moscada no puré mas torceram-me o nariz

Os gregos esbanjam limão - na sopa, na carne, no peixe, em tudo - e azeite, embora agora estejam a mudar para o óleo, lá está, parecidos connosco até nas escolhas inteligentes....

Os meus amigos turcos não comeram o bacalhau, os que se atreveram a provar os grelos fizeram uma cara que metia dó (aquilo realmente é amargo, mas eu gosto, ehehe) e comeram o puré com... KETCHUP! Tudo acompanhado com Fanta e Coca Cola. - Rodrigo you want? - No, thank you, I would like to have wine with this meal, I don't have wine, I take water, but thank you!

Tarte de Laranja

Um doce de Páscoa, se não me engano...

Ingredientes:
- 4 ovos
- 4 laranjas
- massa muito fininha que não sei o nome em português
- fermento
- 1 iogurte
- óleo

Unta-se a forma com óleo.
Fazem-se umas rosas com a massa à mão e colocam-se todas no fundo da forma, deixa-se de parte.

Mistura-se o iogurte com o fermento e repousa também.

Raspa-se a casca de duas laranjas, mistura-se com meia chávena de açúcar e os ovos, um a um, bate-se muito bem. Acrescenta-se uma chávena de óleo e bate-se outra vez muito bem.
Acrescenta-se o iogurte mas misturando à mão, sem bater.

Aquece-se o forno a 175º

Põe-se aquela mistura em cima da massa e deixa-se repousar 10 minutos antes de ir ao forno.

Entretanto faz-se uma calda:
Numa panela põe-se meia chávena de água, 2,5 chávenas de açucar, raspa de 2 laranjas e 1 copo de sumo de laranja, deixa-se cozinhar 5 minuto.

A calda só pode ser posta na tarte se ambas estivere quentes ou se ambas estiverem frias.

É muito bom!

dia 22 - 27 de Outubro - 5a e última demão de verniz

Hoje de manhã lixei mais uma vez e voltei a envernizar. Entretanto o resto da malta também avançou nos seus instrumentos, um deles tinha uma rachadela de quando estava a ser trabalhado e a Ageliki disfarçou-a com o pirogravador.
Ao fim da manhã tivemos a primeira aula teórica sobre Baglamas.

Da família das Tabura (tenho de confirmar esta palavra), foi encontrada uma estátua de uma mulher a tocar estes instrumentos de 400a.C. Na altura o instrumento chamava-se Panduriz (transcrição fonética da palavra) e era tocado por mulheres, entretanto o nome sofreu várias mutações.

O nome Baglamas e a forma que usa hoje em dia veio com os gregos que estavam na Turquia na década de 1920. Nesta altura surge a Rabética ou Rabético, um estilo de música com Bouzouki e Baglamas. Este estilo era utilizado por pobres e criminosos e as canções falavam sobre álcool, drogas, crimes e às vezes amor.
Por ser pequeno era fácil de levar e muito utilizado em prisões. O Rabético foi proíbido até antes da 2ªa Grande Guerra.

Existem 3 tipos de Baglamas - pequeno, médio e grande - e 2 formas de construção - a partir de um bloco maciço e através de aduelas (Kalupi).
- A partir de um bloco maciço consegue-se um melhor som e podem usar-se madeiras duras como Nogueira, Maple ou Bordo, Amoreira mas também Tília.
- Na construção a partir de aduelas tem de se usar madeiras macias por causa da elasticidade e moldabilidade da madeira, a mais usada é a Tília. Deixa-se a madeira em água 2 a 3 dias e, com o calor, dá-se forma a cada peça que se aplica num molde.

No nosso caso estamos a utilizar a construção a partir de um bloco de madeira maciço por ser mais rápido e fácil de trabalhar. O bloco onde esculpimos o instrumento é feito colando várias madeiras que são reaproveitadas. As linhas que se vêm na foto servem de guia ao Sr Kosta quando dá uma forma tosca a estes blocos.

Madeiras habitualmente utilizadas:
- Braço: Tília ou madeiras duras (preferencialmente)
- Tampo: Abeto ou madeiras brancas (quanto mais próximas estiverem os veios da madeira melhor)
- Tastiera: Ébano (habitualmente não se enverniza, aplica-se óleo)
- Cavalete exterior: Ébano ou Tília
- Cavelete interior: Tília ou a mesma madeira do tampo
- Trastos: aço ou alumínio (estes também existem com várias alturas que variam consoante o tamanho do Baglamas)
- Ponte (pecinha pequena que faz a passagem das cordas do braço à testa): Ébano ou Tília

A madeira tem de estar sempre bem seca e os construtores preferem não comprar madeira de estufa mas encontrar a madeira e guarda-la durante 2  a 3 anos para secar, assim ela mantém alguma humidade que é importante para trabalhar, especialmente na construção por aduelas.

Estas informações foram-nos dadas pela Ageliki, a nossa mentora.






Ao almoço tivemos Cooking Lesson com bacalhau, puré e legumes e uma tarte de laranja muito boa.

A seguir ao almoço aula de grego mas como eu era o único aluno, outra vez, pedi à professora para me mostrar uns estilos musicais das várias regiões gregas.

E estive a ensaiar e a trabalhar nos didgeridoos de papel.

A minha estadia por aqui vai-se aproximando do fim.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

dia 21 - 26 de Outubro - 4a demão de verniz

Hoje o post é curtinho e sem imagens!

A Ageliki chegou por volta do meio dia porque tinha estado doente durante a noite.

Lixei a demão de ontem, desta vez com lixa de 1000, e dei mais uma que será a última.

O verniz não está a ficar do meu agrado por dois motivos: podia ter lixado melhor antes de envernizar e agora enquanto uns estão a dar verniz outros estão a lixar, a isto chama-se um ambiente contaminado, quando se enverniza e pinta tem de se ter alguns cuidados evidentes, mas estamos numa fase um pouco a despachar....

Depois de envernizar vim almoçar e estive a trabalhar nos didgeridoos de papel.

Por aqui aproximam-se as eleições e uma das formas de campanha é ter pessoas carregadas de flyers que passam à porta das casa e simplesmente largam o flyer! Está certo...

Ontem dois dos camaradas apanharam uma borracheira com cerveja barata e, como tal, estive a aturar algumas criancices. OK.

Em troca de emails o presidente da Orfeas, a associação de acolhimento, disse-me que estava muito triste com o facto de haver gente que ficava a dormir em vez de ir trabalhar porque a Ageliki fazia 100km para vir para aqui e tinha uma filha. Eu concordei e disse que gostava de lhe dar algumas opiniões sobre o Big Brother que por aqui acontece, a ver vamos.

Continuo com a divulgação do workshop e concerto tanto quanto posso. Este povo é parecido connosco.

Este post parece aqueles diários de bordo de navios perdidos semanas: dia 34, continuamos perdidos, já se começa a falar em escolher alguém para ceder o braço esquerdo para nos alimentarmos, a água escasseia e os homens começam a criar conflitos.

Ehehehehe