domingo, 17 de outubro de 2010

dia 11 - 16 de Outubro - que dia o de hoje!

O meu dia de hoje foi super intenso e recheado, mas vou começar pelo de otem.

As primeiras palavras em inglês que ouvi de um dos turcos que cá está em casa foram estas: Cristiano Ronaldo (acompanhadas por um sinal de fixe e um sorriso).Sim foram em inglês porque vinham cheias de sotaque. Eu devia ter desconfiado...
Temos cá uma Playstation 2 com o Tekken 5 e o PES. Ele passa HORAS a jogar com o Manchester United (corrijam-me se me enganei), então estou sempre a ouvir o nosso Ronaldinho a receber a bola e o comentador a dizer SEMPRE com a mesma entoação o nome dele.
Ontem o meu amigo fez questão em mostrar-me a televisão no panorama que se vê na foto e com um grande sorriso na cara. Eu achei por bem partilhar com alguns familiares e amigos que se interessam pelo desporto Rei. Talvez eles levem a provocação mais a sério...

Ontem queria ir passar o fim de semana a Meteora mas como vi que não havia saldo para cobrir tanta viagem e estadia resolvi voltar à carga com os emails com propostas de workshops e concertos, eu sou uma chaga!
O Matt Barrett tem um site com viagens e itinerários por aqui, o Greek Travel, e foi um dos contemplados com um destes fantásticos emails. Antes de desligar o computador tinha dois emails dele, um a explicar como ir a Meteora por metade do preço e tempo e o outro com sugestão de contactar a Daphne do Daphne's Club. Quando fui ao site deles decidi enviar logo um email com proposta, além de ficar aqui perto é um sítio brutal.
De manhã tinha um email dela a dizer que talvez estivesse interessada, colocava algumas questões e ainda me aconselhava que contactasse um amigo dela que é músico e tem uma escola de música em Kiato (a cidade mais próxima daqui).
Se eu já tinha pensado ir conhecer Xylokastro, por esta altura não havia mais dúvidas, Xylokastro aqui vou eu!

Para não gastar dinheiro pus-me a caminho a pé até Kiato. Levava o didge de PVC comigo.
Experimentei pedir boleia. Parou uma Traffic com 2 homens que não falavam uma pontinha de inglês mas a gente entendeu-se maravilhosamente. Não, isto não é uma bazooca, (sorrisos típicos de quem foi apanhado a falar noutra língua sobre alguém) é um instrumento de música (ah! música muito bem) da Austrália (patati patatá aborígenes), sim isso, dos aborígenes. Eu sou de Portugal. (envolvido em muita gesticulação: que faz um português com um instrumento da Austrália na Grécia). Depois lá me deixou a meio do caminho a dizer que para Kiato era em frente, ele virava ali. Não me podia vir embora sem tocar um bocado para eles e dizer obrigado em grego que soa a Evharisto!
Continuei o resto do caminho a pedir bolei até que um carro parou. Estes não me inspiraram a mesma confiança que os outros e a certa altura ele faz-me o gesto de dinheirinho, quanto é que lhe pagava por me dar boleia, fui buscar o meu melhor sorriso e não obrigado! Já estava quase em Kiato, ele não devia saber que eu sabia disso....

Ao chegar à estação reparei que o autocarro estava para sair então decidi correr para não o perder. O motorista levantou-se de repente de mãos no ar com o ar mais medroso que se pode imaginar. Ele pensou que o didgeridoo era uma ARMA e só ao fim de uns segundos é que percebeu que não era!!!! Nunca me tinha acontecido uma destas... Que mundo em que vivemos.

Não era aquele o meu autocarro, esperei pelo próximo e resolvi desmontar o didgeridoo em 2 partes para não repetir a proeza. A chegar a Xylokastro fui até à marginal à procura do Daphne's Club, tirei uma fotografia de um cume, que também tem um mosteiro segubndo o que me disseram (acho que está agendada uma visita da minha parte para um dia destas).

Ao dar um passo na lama deslizei cerca de 50 cm conseguindo encher-me todo de lama!

Estava prontinho para ir para uma reunião!!!!
Bom, ainda tinha a tarde toda pela frente, resolvi ir identificar o sítio onde o hotel fica e esperar que aquele rico serviço secasse, comprava uma escova nos chineses e tentava pôr-me mais apresentável.

Dei umas voltas por ali entregue aos meus pensamentos sobre as diferenças e semelhanças que temos com este povo, a observar a marginal mais exótica que vi até hoje, no fim do passeio é logo água.

Continuo apaixonado pela cor da água aqui!

Mandei mensagem à Emilie para saber se queria ir tomar um café para saber se estava bem e também para ver se conhecia mais voluntários.
Ela apareceu com a Odine, outra francesa mas pouco falámos, ela estava mais entretida com o telemóvel. Estivemos por ali a conversar e a dizer aos blacks que não queríamos CDs nem DVDs. Não imaginam a quantidade de vendedores ambulantes que por aqui há. Têm uma noção de mercado muito diferente da minha: na mesma praça 5 a vender DVDs e CDs pirateados. Mas volta e meia vê-se gente a comprar!




Estavam a ser as 2 da tarde e eu estava, mais uma vez, espantado com a realidade grega. Há uma crise tremenda no país, os preços estão mais inflaccionados do que em Lisboa, a seguir ao almoço ninguém trabalha, siesta time, e as esplanadas estão atestadas de gente a beber frappés (uns batidos de nespresso com gelo) a 2€50.



Meti-me ao caminho em direcção ao Hotel. Para lá chegar tive de atravessar uma mata de pinheiros. É aqui que estão a trabalhar os voluntários de projectos a 6 meses: a limpar a mata do lixo e acumulação de bio massa. Inteligente, não? Vamos dar dinheiro a associações juvenis para terem 14 jovens europeus a limpar os nossos bosques em Portugal? Estás tolo Rodrigo? Mais vale deixar acumular para depois arder no Verão... 
 O tempo aqui é estranhíssimo, as vezes está sol, depois fica frio de repente, depois volta o calor mas sem sol, desata a chover, regressa o calor, uma confusão. Mas não consigo passar pelo mar sem lhe meter as mãos para sentir a temperatura. Morninha! Talvez seja por isso que se vê tantas pessoas de idade a vir a estas praias dar umas braçadas... Bom, já andava doido por me atirar a estas águas, agora já ninguém me segurava, hoje não ia acabar o dia sem ir ao mar.

Cheguei ao hotel, estive a falar com a Daphne, apontámos os pormenores todos para um workshop e concerto por aqui, quando estiver confirmado ponho aqui.

E zás! Banho! Praia deserta, fato de banho na mochila, juntei as tralhas todas num montinho e siga tratar da dor de costas que me anda a incomodar: nada como umas braçadas no mediterrâneo! Que bem que me soube.
video
Depois do banho estive a tocar um bocado de didgeridoo com o som das ondinhas como acompanhamento...
Isto realmente, a vida aqui não está a ser fácil...

Bom, mas vamos trabalhar que hoje vai haver um concerto em Kiato e, ao telefone com o Kostas (olha mais um! Kostas deve estar para a Grécia como Silva está para Portugal) já se falava em tocar hoje!!!
No autocarro voltaram a comentar o didgeridoo, o que me fez pensar que ainda tenho de o fazer mais desmontável para disfarçar melhor.

Chegado à Escola de Música...
É um projecto de dois jovens de Kiato que estão a tentar lutar contra uma falha muito grande de gosto pela música clássica aqui pela Grécia, especialmente nesta região. Basicamente as pessoas quase que só se interessam pela música tradicional, o que é bom, mas falta a componente clássica.
Quando mostrei que instrumento afinal é que eu tocava (nesta altura ainda estava desmontado, tinha aspecto de tudo menos de instrumento musical) lá veio aquele brilhozinho nos olhos que eu vejo quando toco didgeridoo para alguém. A ideia de tocar hoje ficou logo de parte porque ia ser um recital de piano e violino.

Mas estivemos a falar da ideia de se organizar lá na escola um concerto meu a solo, talvez no dia anterior ao do workshop no Hotel. Entretanto o Kostas, que tem a minha idade e a mesma motivação nisto de tocar e ensinar música, disse logo que queria aprender a tocar e queria fazer um para ele. Quando lhe mostrei uma fotografia duma piteira que vi na praia a caminho do hotel decidiu logo ir corta-la amanhã... A ver vamos, ao fim do dia já dizia que tinha de ir a Atenas.

Estivemos por ali na conversa, estivemos a tocar guitarra com didgeridoo (ele estava parvo com este novo instrumento só de uma nota e tão potente). Fiquei a saber que também toca Baglamas, Tzouras e Bouzouki. Descobri mais uma parecença entre gregos e porttugueses: há 8 anos que se constroem Baglamas a 4 km da cidade onde ele toca e ensina música e ele não sabia disso, nem os colegas! Depois mostrou-me o Bouzouki dele UAU!!!! Que maravilha de instrumento. Disse-lhe que era um dos meus instrumentos preferidos, ele tocou um bocado, aquilo deu para a emoção, depois tocou algo mais animado. Explicou-me que este dele é especial porque o construtor também usa carbono. Plim! Os meus olhos brilharam ao som desta palavra, ehehe.
Bom, o post vai longo...
Ele despachou-me porque tinha de ir a casa. Fui dar uma volta e tocar didgeridoo.
À hora do concerto voltei à escola e assisti à segunda sessão. Depois do concerto ajudei-os a levar um piano vertical em peso para outra divisão. Tinha rodas mas como o soalho é novo.... A escola tem um mês de vida,  algo me diz que ao fim de um tempo vão arranjar alguma solução para este biscate....

Tentei contactar o taxista que nos faz a viagem para a aldeia a 5 euros mas como ele não atendia perguntei à malta da escola se me podia trazer... Depois de pagar pelo concerto e carregar com o piano achei que não estaria a abusar em pedir um desvio de 4km.

O sócio do Kostas pergunta-me a que distância fica, diz que sim, que me leva a casa e... vai buscar um capacete. E eu que andava a ficar doido com tanta motita por aqui. Lá viemos por aí acima de mota, eu sem capacete, com o didge às costas.

Escrevo-vos a cheirar a mistura, quem já andou de scooter sabe o que isto quer dizer, e com um bruto sorriso nas trombas.
Que dia este!

PS: Alguém aguentou até ao fim a ler?

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